O espetáculo conta a história de seis móveis de um quarto (Cama, Criado Mudo, Mancebo, Cômoda, Armário e Espelho) que pertencem a um proprietário que comete suicídio, movido por uma crise existencial. Seu corpo é encontrado pela faxineira, que assustada com o ocorrido e também com medo de se comprometer com as suspeitas de um assassinato, coloca suas luvas de limpeza, arruma a bagunça, e sem mexer no morto, vai embora. Liga de um orelhão para a secretária eletrônica do proprietário e deixa um recado avisando que não irá trabalhar. Para a faxineira, esse recado será seu álibi caso alguém desconfie de seu envolvimento na morte do proprietário do quarto.

 

Os móveis presenciam toda a movimentação, que vai desde a cena que antecede o suicídio, na qual o proprietário tem relações sexuais com uma prostituta, passando pelo suicídio, pela chegada da faxineira, pela remoção do corpo e pela desocupação do quarto.



Ao longo da situação, os móveis falam sobre vários assuntos, e seus diálogos são fragmentos de sensações e pensamentos que foram absorvidos por eles de forma desconexa, são reflexos da convivência deles com o proprietário. Com a morte do proprietário, os móveis enfrentam também uma crise de identidade desencadeada pela heteronomia presente na relação mobília/proprietário. Quem ocupará o Quarto? Quem será o novo proprietário? Essa é uma realidade que os móveis resistem em enfrentar.

O objetivo da Azenha de Teatro com a montagem deste espetáculo é compartilhar, experimentar e provocar uma reflexão sobre os novos mecanismos do chamado "4º Poder".

 

Sentimos necessidade de apresentar uma metáfora sobre a possível decadência do poder unilateral da mídia, das suas influências, da manipulação das ideias, dos comportamentos e dos consumos. Uma metáfora sobre a ascensão do poder democrático e global gerado com o surgimento da internet, e sobre a letargia existente no comportamento dos usuários da rede, que por vezes não estão habituados a posturas autônomas, não desfrutam de forma plena os benefícios desse movimento.

 

Os textos/falas publicados por nossos visitantes em nossa página no Facebook serão escolhidos e utilizados no espetáculo. Pretendemos trabalhar em parceria com vários autores, pois entendemos que desta forma a rede social se torna um espaço de cocriação artística, e através deste espetáculo se transforme também um espaço de estímulo à apreciação teatral.

 

Novas formas de vínculos e interação surgem intermediadas por novas arquiteturas e nova linguagem. Queremos através deste espetáculo, transformar esta “rede virtual de indivíduos” numa experiência coletiva real, lúdica, divertida e interativa.

 

Buscamos atrair um público que se afasta da interação presencial para experimentar e apreciar a arte do teatro.

 

Através da interpretação pretendemos abordar a coisificação do homem, enquanto objeto receptáculo de conteúdos. Segundo o filósofo alemão Immanuel Kant, o que diferencia coisa de pessoa é o valor. O valor das coisas é extrínseco a elas, é atribuído a elas. E se chama preço. Pessoas, da mesma forma, também têm um valor, mas o valor da pessoa não é extrínseco, é intrínseco, faz parte dela, não é atributo.

E se chama dignidade.

Espetáculo em fase de produção.

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Ficha Técnica
Texto: Adriana Azenha e Coautores.

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